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Revisão Trimestral
Uma análise aprofundada dos mais recentes desenvolvimentos econômicos e de mercado
 
Publicação | Primeiro Trimestre de 2026
 
 
 
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Os mercados globais iniciaram 2026 com um tom construtivo, dando continuidade ao impulso observado no final de 2025. Janeiro foi marcado por uma melhora na amplitude do mercado, com as small caps dos EUA e os mercados emergentes liderando os retornos. Os índices de igual ponderação superaram os benchmarks ponderados por capitalização, sinalizando uma ampliação da liderança para além das empresas de tecnologia de mega capitalização. O apetite por risco foi sustentado pela resiliência dos dados econômicos dos EUA, por condições de crédito estáveis e pelo otimismo contínuo em torno dos investimentos impulsionados por inteligência artificial, mesmo com o início de preocupações relacionadas às avaliações.
Apesar desse cenário positivo, os riscos subjacentes permaneceram presentes. Tensões comerciais voltaram a emergir, a detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos aumentou a incerteza política na América Latina, e as tensões geopolíticas persistiram — com destaque para o envolvimento do Irã. Os mercados de commodities passaram a exercer uma influência crescente. Os preços de energia avançaram de forma acentuada, enquanto o ouro se beneficiou da demanda por proteção em ativos reais, em meio ao enfraquecimento do dólar americano e às contínuas preocupações fiscais.



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O sentimento dos mercados apresentou uma mudança relevante ao longo de fevereiro. As ações dos Estados Unidos registraram enfraquecimento, especialmente nos segmentos de crescimento e tecnologia, à medida que os investidores reavaliaram a sustentabilidade dos lucros e o volume elevado de investimentos em inteligência artificial. Dados mais moderados do mercado de trabalho norte-americano reforçaram a percepção de desaceleração do crescimento, aumentando a seletividade entre setores.
No campo político-comercial, a Suprema Corte dos EUA revogou o regime tarifário de “reciprocidade” da administração Trump, trazendo um alívio temporário às incertezas relacionadas à política comercial. Ainda assim, preocupações estruturais com o comércio global e o cenário geopolítico permaneceram em destaque.
O desempenho entre regiões foi desigual. O Japão se beneficiou de maior clareza política e da expectativa de estímulos fiscais, enquanto os mercados europeus encontraram suporte na expansão dos investimentos em defesa e infraestrutura, apesar das contínuas incertezas comerciais. Já nos mercados emergentes, o cenário tornou-se mais heterogêneo, com a China continuando a ter peso sobre os resultados em função de desafios estruturais.

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Março marcou um ponto de inflexão relevante para os mercados globais. Uma escalada significativa no conflito entre Estados Unidos e Irã, aliada ao fechamento do Estreito de Ormuz, provocou uma forte alta nos preços do petróleo. Esse movimento reacendeu preocupações com a inflação e pressionou os rendimentos dos títulos públicos para cima, impactando diretamente o sentimento dos investidores.
Diante desse cenário, os mercados passaram rapidamente de um ambiente de rotação para uma postura mais ampla de redução de risco. Ações, títulos e moedas mais sensíveis ao risco registraram quedas simultâneas. Os spreads de crédito se ampliaram, embora sem sinais de estresse sistêmico, enquanto o dólar americano voltou a se valorizar, sustentado por rendimentos reais mais elevados e pelos preços mais altos de energia, fatores que reduziram o apetite por risco.
No campo da política monetária, o Federal Reserve manteve as taxas de juros inalteradas em março, na faixa de 3,5% a 3,75%, sinalizando espaço limitado para cortes ao longo de 2026. A autoridade monetária destacou o desafio de equilibrar uma inflação impulsionada pela alta dos preços de energia com um mercado de trabalho em processo de desaceleração, além de ressaltar o elevado nível de incerteza econômica diante do conflito no Oriente Médio.
Apesar de uma recuperação parcial no final do mês, o S&P 500 encerrou o trimestre com seu desempenho mais fraco desde o terceiro trimestre de 2022, refletindo um ambiente de maior volatilidade e cautela por parte dos investidores.

A seguir, apresentamos um breve resumo das perspectivas de alocação para os próximos meses, conforme a visão de alguns de nossos principais parceiros.

Ações dos Estados Unidos
Os gestores de ativos mantêm uma visão amplamente construtiva, embora com diferentes ênfases. A BlackRock voltou a adotar uma posição overweight, apoiada por lucros resilientes e pelo vetor estrutural positivo da inteligência artificial. A PIMCO identifica oportunidades, mas destaca a rotação em direção a estratégias de valor e a necessidade de maior diversificação diante dos níveis elevados de valuation. A Franklin Templeton permanece mais cautelosa no curto prazo, em função das incertezas geopolíticas, apesar de reconhecer um crescimento sólido dos lucros subjacentes.

Ações de Mercados Emergentes
O sentimento em relação aos mercados emergentes melhorou. A BlackRock e a Franklin Templeton destacam o fortalecimento do momento dos lucros, especialmente na Ásia, impulsionado pelos semicondutores e pelas cadeias de suprimento relacionadas à inteligência artificial. A PIMCO compartilha dessa visão positiva, observando que as ações de mercados emergentes oferecem exposição à tecnologia a valuations mais atrativos do que nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que ressalta a importância da seletividade.

Ações Europeias
As visões sobre a Europa são variadas. A Franklin Templeton enxerga oportunidades no médio prazo, apoiadas pela possibilidade de afrouxamento monetário, enquanto a BlackRock permanece neutra e adota uma abordagem seletiva, baseada em setores. Esta última argumenta que um desempenho consistentemente superior exigiria reformas estruturais mais claras e uma dinâmica de crescimento mais robusta.

Ouro
A PIMCO vê o ouro como um diversificador estratégico, apoiado pelos riscos geopolíticos, pelo aumento da dívida soberana e pela demanda dos bancos centrais, mas alerta que os valuations estão elevados. Já o J.P. Morgan adota uma postura mais otimista, destacando a demanda forte e persistente por parte de bancos centrais e investidores, além do papel do ouro como reserva de valor em um ambiente macroeconômico incerto.

Dívida Soberana dos EUA
Há um amplo consenso de que a renda fixa se tornou mais atrativa em relação ao caixa. A PIMCO e a AllianceBernstein favorecem títulos de curto e médio prazos para capturar yield, ao mesmo tempo em que limitam o risco. A Franklin Templeton mantém uma postura cautelosa em relação aos Treasuries dos EUA de longa duração, devido às pressões inflacionárias persistentes e aos elevados déficits fiscais.

Crédito dos EUA
Os gestores consideram o carry como o principal motor dos rendimentos, com uma margem limitada para uma maior compressão dos spreads. A PIMCO e a AllianceBernstein enfatizam qualidade, liquidez e seleção ativa de valores, favorecendo o crédito com grau de investimento e segmentos de alta qualidade dentro do high yield. De modo geral, o cenário é favorável, mas com pouca margem para cometer erro.

Títulos Internacionais e Crédito (incluindo Dívida de Mercados Emergentes)
A dívida de mercados emergentes se destaca como uma área de forte consenso entre os especialistas. O J.P. Morgan e a BlackRock destacam a melhora dos fundamentos, os yields atrativos e o suporte de um ciclo global de afrouxamento monetário, especialmente na dívida de mercados emergentes denominada em moeda forte. A Franklin Templeton é mais cautelosa em relação à dívida em moeda local, mas concorda que a classe de ativos se beneficia do atual ambiente monetário.

Fontes:

 
 

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