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Revisão Trimestral
Uma análise aprofundada dos mais recentes desenvolvimentos econômicos e de mercado
 
Publicação | Segundo Trimestre de 2026
 
 
 
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Abril teve início sob a sombra de um choque energético agudo. A escalada das tensões no Oriente Médio e as interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz elevaram o preço do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril, reacendendo os temores inflacionários e trazendo novamente os riscos de estagflação para o centro das discussões dos mercados financeiros. O principal acontecimento do mês foi o anúncio de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que serviu como catalisador para uma forte reversão no apetite por risco. Embora o acordo permanecesse frágil e o cenário geopolítico continuasse longe de uma resolução definitiva, sua implementação foi suficiente para desencadear uma expressiva recuperação dos mercados acionários. Os preços do petróleo recuaram inicialmente dos seus picos, a volatilidade começou a diminuir e os investidores voltaram a alocar recursos em ativos de risco após semanas de posicionamento defensivo. O índice S&P 500 registrou um de seus avanços mensais mais fortes desde 2020, enquanto o Nasdaq liderou a recuperação, sustentado pela renovada confiança nas empresas de tecnologia e ligadas à inteligência artificial. Ainda assim, o alívio não foi completo, a inflação permaneceu elevada, os rendimentos dos títulos de longo prazo continuaram relativamente altos e os bancos centrais deram poucos sinais de que cortes nas taxas de juros estivessem próximos.



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Maio deu continuidade à recuperação iniciada em abril, com os mercados acionários alcançando novas máximas históricas e o setor de tecnologia permanecendo como o principal vetor de valorização. O que inicialmente parecia um movimento técnico de recuperação passou a apresentar fundamentos mais sólidos e sustentáveis, sustentado por resultados corporativos do primeiro trimestre acima das expectativas e pela reafirmação, por parte das grandes empresas de tecnologia, de seus robustos planos de investimento em inteligência artificial. Entretanto, sob a superfície, o delicado equilíbrio entre crescimento econômico e inflação tornou-se mais evidente. O choque nos preços da energia observado em abril continuou a pressionar os índices de inflação ao consumidor, mantendo as preocupações inflacionárias no radar dos investidores e levando os mercados a reavaliar as expectativas para a trajetória da política monetária. Nesse contexto, os rendimentos dos títulos de longo prazo avançaram, com a taxa dos Treasuries de 30 anos atingindo seu nível mais elevado desde 2007, antes de recuar posteriormente à medida que os preços do petróleo perderam força. Maio também marcou uma importante transição na liderança do Federal Reserve, com Kevin Warsh assumindo a presidência da instituição em um momento em que a taxa básica de juros dos Estados Unidos (Fed Funds Rate) se encontrava no intervalo entre 3,50% e 3,75%. O novo presidente herdou um cenário particularmente desafiador para a condução da política monetária: de um lado, a atividade econômica seguia resiliente e as condições financeiras apresentavam melhora; de outro, a inflação permanecia acima da meta, exigindo cautela na calibração dos próximos passos da política do banco central. Os mercados de ações conseguiram absorver o ambiente de juros mais elevados graças ao forte impulso dos lucros corporativos. Em contrapartida, a renda fixa enfrentou dificuldades, com os índices amplos de títulos pressionados pelo aumento dos juros reais, pelas preocupações fiscais e pelo debate crescente sobre a necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.

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Junho encerrou o trimestre com os mercados ainda próximos de suas máximas históricas, embora o debate em torno da inflação e da trajetória da política monetária permanecesse longe de uma conclusão definitiva. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) referente a maio registrou alta de 4,2% em doze meses, enquanto a inflação núcleo atingiu 2,9%. Os dados confirmaram a transmissão do choque energético aos preços ao consumidor, ao mesmo tempo em que indicaram que as pressões inflacionárias subjacentes continuavam relativamente mais contidas. O principal evento para os mercados em junho foi a primeira reunião do FOMC (Federal Open Market Committee) sob a presidência de Kevin Warsh. Conforme amplamente esperado, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. No entanto, as projeções atualizadas da autoridade monetária sinalizaram uma mudança relevante de tom, afastando-se da expectativa predominante de cortes de juros em 2026 e passando a admitir a possibilidade de uma elevação adicional das taxas. Adicionalmente, Warsh optou por remover do comunicado as orientações prospectivas (“forward guidance”), reforçando uma postura mais dependente dos dados econômicos. A reação dos mercados foi imediata: as bolsas recuaram após a decisão, enquanto os rendimentos dos títulos de curto prazo e o dólar registraram valorização. No campo geopolítico, o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã permitiu a gradual normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, contribuindo para a redução dos preços do petróleo em relação aos picos observados ao longo do segundo trimestre. Ainda assim, novos episódios de hostilidade registrados no final do mês reforçaram a percepção de que a trégua permanecia instável e suscetível a novas escaladas de tensão. Junho também entrou para a história dos mercados de capitais. A SpaceX concluiu o maior IPO já realizado, registrando expressiva valorização em sua estreia antes de passar por uma correção significativa. Paralelamente, Anthropic e OpenAI protocolaram confidencialmente seus pedidos de abertura de capital, reforçando o protagonismo crescente do setor de inteligência artificial entre os investidores globais. O período foi marcado ainda por uma realização de lucros nos setores de tecnologia e semicondutores, acompanhada por uma correção nos preços do ouro, movimento que provocou um aumento temporário da volatilidade. Apesar disso, o apetite por risco permaneceu resiliente e as bolsas recuperaram terreno ao longo das últimas semanas do trimestre. Como resultado, o Nasdaq encerrou o período com seu melhor desempenho trimestral desde 2020.

A seguir, apresentamos um breve resumo das perspectivas de alocação para os próximos meses, conforme a visão de alguns de nossos principais parceiros.

Ações dos Estados Unidos
A visão dos principais gestores permanece construtiva com foco na seletividade dos investimentos.
  • BlackRock e a J.P. Morgan continuam favorecendo ações dos Estados Unidos, apoiadas pela resiliência dos lucros corporativos, pela solidez da economia e pela continuidade do ciclo de investimentos em IA
  • Franklin Templeton destaca que as oportunidades já não se concentram apenas nas grandes empresas de tecnologia. A gestora observa um cenário mais favorável para empresas de pequena e média capitalização (small caps e mid caps).
  • AllianceBernstein mantém preferência por empresas de alta qualidade, caracterizadas por rentabilidade elevada, forte geração de caixa e balanços sólidos.
  • PIMCO adota uma postura mais cautelosa, argumentando que as avaliações de mercado estão exigentes e que títulos de renda fixa de alta qualidade oferecem oportunidades mais atrativas em termos de retorno ajustado ao risco.
Os gestores continuam construtivos com as ações americanas, mas reforçam a importância da seletividade e da disciplina nas avaliações em um ambiente de mercado mais desafiador.

Ações de Mercados Emergentes
A perspectiva para ações de mercados emergentes permanece construtiva, com foco crescente na seleção de países e setores.
  • J.P. Morgan e AllianceBernstein destacam avaliações atrativas, melhora nas perspectivas de lucros corporativos e acesso mais eficiente a empresas asiáticas que deverão se beneficiar estruturalmente do crescimento da inteligência artificial (IA).
  • A Franklin Templeton também mantém uma visão construtiva para os mercados emergentes, identificando oportunidades atrativas em diversas regiões.
  • A BlackRock, por sua vez, reduziu sua recomendação para ações de mercados emergentes de forma ampla para uma posição neutra no final de junho, citando riscos relacionados à elevada concentração dos investimentos ligados à IA, especialmente em mercados como Taiwan e Coreia do Sul. Como resultado, a gestora passou a favorecer exposições mais seletivas, em vez de uma alocação ampla acima da média (overweight).
Os mercados emergentes continuam oferecendo potencial atrativo, sustentado por avaliações relativamente descontadas e resiliência dos lucros. No entanto, fatores como volatilidade cambial, políticas econômicas domésticas e riscos geopolíticos permanecem elementos fundamentais na análise e seleção dos investimentos.

Ações Europeias
O sentimento em relação às ações europeias tornou-se mais construtivo, à medida que investidores buscam maior diversificação geográfica e setorial diante da elevada concentração do mercado acionário americano, especialmente no segmento de tecnologia.
  • BlackRock identifica oportunidades seletivas fora dos EUA, incluindo exposição ao setor de defesa europeu, que continua sendo beneficiado pelo aumento dos investimentos em segurança e defesa na região.
  • Franklin Templeton acredita que a Europa pode se beneficiar de uma ampliação mais equilibrada dos retornos globais, à medida que os ganhos de mercado deixam de estar concentrados em um número restrito de empresas.
  • J.P. Morgan destaca os bancos europeus e as ações da zona do euro em geral, apoiado por avaliações atrativas e perspectivas de melhora nos resultados corporativos.
  • A AllianceBernstein vê a Europa principalmente como uma ferramenta de diversificação dentro dos portfólios, observando ainda que o Banco Central Europeu (BCE) pode dispor de maior margem para flexibilizar sua política monetária em comparação com outras economias desenvolvidas.
As ações europeias oferecem uma combinação atrativa de avaliações mais descontadas, diversificação e exposição a um ciclo econômico diferente do americano, contribuindo para uma carteira mais equilibrada e menos concentrada em tecnologia.

Ouro
O papel do ouro nas carteiras de investimento continua sendo objeto de debate entre os principais gestores globais.
  • J.P. Morgan mantém uma visão estruturalmente positiva para o metal precioso, sustentada pela forte demanda dos bancos centrais, pela diversificação de reservas internacionais e pelas incertezas persistentes em relação à inflação global.
  • BlackRock, por outro lado, adota uma postura mais cautelosa. A gestora argumenta que o ouro pode não oferecer proteção consistente em cenários nos quais choques geopolíticos ocorrem simultaneamente ao aumento dos juros reais e ao fortalecimento do dólar norte-americano, fatores que historicamente tendem a pressionar o preço do metal.
A divergência entre os gestores está relacionada à confiabilidade do ouro como instrumento de proteção de carteira (portfolio hedge).

Dívida Soberana dos Estados Unidos
As opiniões sobre os títulos do governo dos Estados Unidos permanecem divididas entre os principais gestores globais.
  • PIMCO, AllianceBernstein e J.P. Morgan consideram que os níveis atuais de rendimento (yields) oferecem oportunidades atrativas, uma vez que os investidores podem acessar retornos mais elevados do que os observados nos últimos anos.
  • BlackRock, por outro lado, mantém uma postura mais cautelosa em relação aos Treasuries de longo prazo. A gestora destaca preocupações relacionadas à deterioração fiscal dos Estados Unidos, ao aumento dos níveis de endividamento público e à persistência dos riscos inflacionários, fatores que podem pressionar os rendimentos e gerar volatilidade adicional.
O principal debate entre os gestores está em determinar se os investidores estão sendo adequadamente remunerados pelo risco de duração (duration risk) assumido.

Crédito Corporativo dos Estados Unidos
Os gestores mantêm uma postura cautelosa em relação ao mercado de crédito corporativo norte-americano.
  • AllianceBernstein demonstra preferência por crédito de maior qualidade, com destaque para o segmento de transição entre grau de investimento e alto rendimento (BBB/BB crossover), onde identifica uma relação mais atrativa entre risco e retorno.
  • PIMCO ressalta que os spreads de crédito permanecem próximos dos níveis mais estreitos observados historicamente, limitando o potencial de valorização adicional e reduzindo a margem de proteção dos investidores em caso de deterioração das condições econômicas.
  • Franklin Templeton compartilha visão semelhante, observando que os atuais níveis de spreads oferecem pouco espaço para decepções, seja em relação ao crescimento econômico, à inflação ou à evolução dos resultados corporativos.
A mensagem comum entre os gestores é clara: priorizar qualidade, liquidez e uma seleção criteriosa de emissores.

Títulos Internacionais e Crédito Global, Incluindo Dívida de Mercados Emergentes
A renda fixa global vem sendo cada vez mais vista como uma importante fonte de diversificação dentro das carteiras de investimento.
  • PIMCO favorece uma abordagem global, com exposição tanto a mercados desenvolvidos quanto a mercados emergentes selecionados, buscando capturar oportunidades de valor relativo entre diferentes regiões.
  • AllianceBernstein identifica oportunidades atrativas fora dos Estados Unidos, particularmente quando o risco cambial é protegido (currency hedged), permitindo que os investidores se beneficiem dos rendimentos sem ficarem excessivamente expostos às flutuações das moedas.
  • BlackRock demonstra preferência por títulos soberanos da zona do euro com vencimentos de curto e médio prazo, considerando-os mais atrativos diante do atual cenário macroeconômico e monetário europeu.
  • Franklin Templeton mantém uma visão construtiva para a dívida de mercados emergentes, destacando o potencial de retorno oferecido por diversos emissores em um ambiente de fundamentos relativamente sólidos e avaliações atrativas.
A conclusão comum entre os gestores é que as oportunidades em renda fixa são cada vez mais globais e diversificadas.

Fontes:

 
 

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