A incerteza geopolítica, que vinha se acumulando havia meses, permaneceu elevada em outubro e foi agravada pelo aumento da instabilidade política, com a paralisação do governo dos Estados Unidos ocupando o centro das atenções. Ainda assim, os mercados demonstraram resiliência. O Federal Reserve reduziu sua taxa básica de juros, o que deu suporte às ações, que se mantiveram firmes graças a resultados corporativos sólidos e ao impulso contínuo nos setores de tecnologia e inteligência artificial. A renda fixa, por sua vez, continuou a refletir as tensões do mês: o rendimento do Treasury de 10 anos oscilou entre 4,00% e 4,20%, influenciado pelo ruído político, pela ausência de dados macroeconômicos durante a paralisação do governo e por episódios de aversão ao risco. O ouro esteve entre os ativos com melhor desempenho, enquanto o petróleo se movimentou dentro de uma faixa mais moderada. A Europa teve um mês frágil, impulsionado em parte pela instabilidade política na França e pelo rebaixamento de sua classificação de crédito, enquanto a Ásia se moveu, em grande medida, em linha com as mudanças na dinâmica entre Estados Unidos e China. O mês terminou com uma modesta estabilização do sentimento de risco, apoiada pelo afrouxamento monetário e por sinais iniciais de redução das tensões comerciais.

Novembro foi marcado por uma correção ampla dos mercados e por um claro recuo do apetite ao risco, impulsionado por dúvidas quanto à sustentabilidade das avaliações elevadas nos setores de tecnologia e IA. A paralisação do governo dos EUA — que atrasou a divulgação de dados importantes e reduziu a visibilidade —, juntamente com uma comunicação desigual do Fed, manteve os mercados oscilando entre expectativas de um corte de juros em dezembro e uma pausa, deixando a curva dos Treasuries altamente reativa durante sucessivos episódios de busca por ativos de maior qualidade. As ações enfraqueceram globalmente: os Estados Unidos perderam fôlego, e a Ásia apresentou maior volatilidade em meio a preocupações com o crescimento e tensões regionais. A correção se estendeu pelos setores de tecnologia e semicondutores, alcançando também setores cíclicos e mercados emergentes, sinalizando pressão sobre o panorama econômico mais amplo. As commodities recuaram (petróleo sob pressões de oferta, cobre refletindo o tom fraco da indústria chinesa e o ouro atuando como um refúgio moderado), enquanto os movimentos cambiais permaneceram, em geral, contidos. As criptomoedas sofreram uma forte queda em um ambiente mais amplo de redução de risco. Novembro marcou uma clara mudança para uma postura mais cautelosa, com amplo ajuste de risco, renovada demanda por duração e visibilidade limitada sobre o cenário macroeconômico.

Dezembro se desenrolou com os mercados apresentando relativa resiliência até o final do ano, embora o sentimento tenha permanecido cauteloso na ausência de catalisadores claros capazes de alterar as perspectivas. O Federal Reserve reduziu os juros em 25 pontos-base, levando a taxa para a faixa de 3,50%–3,75%, uma decisão amplamente interpretada como neutra: embora tenha oferecido algum suporte aos ativos de risco, a renda fixa continuou sensível, com volatilidade persistente no rendimento do Treasury de 10 anos. As ações conseguiram se sustentar graças à liquidez sazonal. Nas commodities, o desempenho foi misto, com o ouro se destacando como ativo defensivo e o petróleo sendo negociado dentro de faixas estreitas, apesar de um ambiente geopolítico ainda tenso. No mercado de câmbio, o dólar tendeu a se enfraquecer ao final do mês, diante das expectativas de novos cortes de juros em 2026. De modo geral, dezembro encerrou com um viés ligeiramente mais construtivo, apoiado pelo afrouxamento monetário e pelas dinâmicas típicas de fim de ano, embora a visibilidade macroeconômica permaneça limitada na entrada de 2026.
Diante desse cenário, continuamos a enfatizar a importância de manter portfólios bem diversificados entre classes de ativos e regiões. O último trimestre do ano refletiu um ambiente de mercado marcado por volatilidade episódica, sensibilidade a avaliações e sinais de política econômica em evolução. À medida que persistem as incertezas em torno do crescimento e da geopolítica, a gestão ativa e uma alocação cuidadosa de ativos permanecem pilares fundamentais para navegar as oscilações do mercado e preservar a estabilidade dos portfólios.
A seguir, você encontrará um breve resumo das visões de alocação para os próximos meses, segundo alguns de nossos principais parceiros.
Ações dos Estados Unidos
A PIMCO tem uma visão construtiva sobre as ações dos EUA, mas enfatiza uma rotação em direção a valor, argumentando que ações com viés de valor continuam atrativamente precificadas e podem se beneficiar de um cenário econômico estável, que ajude a ampliar os lucros para além dos segmentos mais concentrados do mercado. A AllianceBernstein compartilha essa visão macro favorável, ao mesmo tempo em que dá maior atenção ao risco de valuation, destacando a necessidade de seletividade e diversificação, incluindo estratégias de baixa volatilidade. A Franklin Templeton mantém a visão mais otimista, projetando que um forte crescimento dos lucros, combinado com múltiplos elevados de forma sustentada, pode gerar um avanço significativo do S&P 500 até 2026, ainda que reconheça uma volatilidade mais elevada. A BlackRock está alinhada com a perspectiva positiva e mantém sobrepeso em ações dos EUA, apoiada pelo crescimento dos lucros impulsionado pela IA, pelo afrouxamento do Fed e pela redução da incerteza em relação às políticas públicas.
Ações de Mercados Emergentes
Os gestores de ativos concordam, de forma geral, que as oportunidades em ações de mercados emergentes estão melhorando. A PIMCO destaca as ações de EM à medida que o afrouxamento de políticas apoia a demanda doméstica, apontando China, Coreia e Taiwan como formas de acessar exposição a tecnologia e IA a valuations mais razoáveis. A AllianceBernstein compartilha dessa visão, citando juros locais mais baixos, melhora dos lucros e um dólar mais fraco. A Franklin Templeton é mais otimista, esperando que o crescimento dos lucros em EM se equipare ao dos EUA. A BlackRock, no entanto, permanece neutra em ações de mercados emergentes no geral, adotando uma abordagem seletiva e destacando oportunidades ligadas à IA, à transição energética e à reconfiguração das cadeias de suprimento.
Ações Europeias
As visões sobre as ações europeias são mistas. A Franklin Templeton tem uma visão construtiva, esperando que o afrouxamento monetário e fiscal apoie uma recuperação cíclica em 2026. Já a BlackRock permanece neutra, argumentando que o recente desempenho superior exigiria políticas mais favoráveis aos negócios e mercados de capitais mais profundos para se sustentar; por isso, prefere setores específicos, como financeiro, utilities e saúde, em vez de um sobrepeso amplo.
Ouro
A PIMCO vê o ouro como um ativo de reserva estratégica, apoiado por riscos geopolíticos, aumento da dívida soberana e diversificação dos bancos centrais para longe dos Treasuries dos EUA. Embora veja potencial para novos ganhos à medida que os juros caem, a PIMCO alerta que os valuations parecem elevados em relação aos yields reais, o que justifica cautela no dimensionamento das posições. A J.P. Morgan, por outro lado, tem uma visão mais otimista, argumentando que os fatores por trás da alta do ouro — incerteza tarifária e forte demanda de bancos centrais e ETFs — permanecem presentes, e projeta uma elevação significativa adicional nos preços do ouro ao longo dos próximos anos, ainda que os ganhos não sejam lineares.
Dívida Soberana dos EUA
Há um amplo consenso de que juros básicos mais baixos tornam o caixa pouco atrativo e favorecem a realocação para títulos de renda fixa. A PIMCO prefere rotacionar para títulos de alta qualidade com vencimentos de 2 a 5 anos, para travar yields. A AllianceBernstein também favorece prazos curtos e intermediários, observando que os títulos públicos recuperaram sua correlação negativa com ativos de risco, ao mesmo tempo em que evita risco excessivo de duration. A Franklin Templeton é negativa em relação a títulos públicos de longo prazo, argumentando que déficits elevados e grandes necessidades de financiamento pesarão sobre o desempenho. A BlackRock compartilha, de modo geral, dessa cautela, permanecendo neutra no curto prazo, mas com underweight em Treasuries de longo prazo. Em síntese, o consenso desfavorece duration longa e favorece qualidade e vencimentos intermediários.
Crédito dos EUA
A AllianceBernstein acredita que o ambiente para crédito continua favorável, mas alerta que spreads apertados deixam pouca margem para erro, favorecendo títulos investment grade e bonds com rating BB. A Franklin Templeton também espera que investidores migrem para crédito corporativo à medida que as taxas do caixa recuam. A BlackRock é mais seletiva, permanecendo neutra em crédito investment grade de curto prazo, underweight em IG de longo prazo devido ao risco de duration, e neutra em high yield, citando maior dispersão entre emissores fortes e fracos. Embora todos os gestores vejam o carry como atrativo, nenhum espera um ganho significativo de preço, reforçando a ênfase em qualidade e seleção de emissores.
Títulos Internacionais e Crédito (incluindo Dívida de Mercados Emergentes)
A dívida de mercados emergentes se destaca como uma das áreas de maior consenso positivo. A Franklin Templeton é bastante construtiva, apoiada pelos cortes do Fed, por um dólar mais fraco e pela redução dos custos de hedge cambial para investidores não americanos. A BlackRock compartilha desse otimismo principalmente em dívida de EM denominada em moeda forte, onde mantém sobrepeso, enquanto permanece neutra em dívida em moeda local, dada a incerteza sobre a durabilidade do enfraquecimento do dólar. De forma geral, a dívida de mercados emergentes é vista como uma das principais beneficiárias do ciclo global de afrouxamento monetário e como uma alternativa atraente aos títulos de mercados desenvolvidos.
Fontes: